Um novo estudo da Universidade de Bath, no Reino Unido, propõe a criação de uma unidade padrão de THC para medir a potência da cannabis.A ideia é semelhante às doses padrão usadas para quantificar o consumo de álcool.
Segundo os pesquisadores, essa medida pode ajudar usuários a controlar a ingestão e identificar pessoas com maior risco de desenvolver transtorno por uso de cannabis.
Por que medir a potência da cannabis é importante
Atualmente, usuários e profissionais de saúde enfrentam dificuldades para quantificar o consumo de cannabis. Isso ocorre porque, por muitos anos, a produção foi ilegal e não regulada em grande parte do mundo.
Além disso, apenas medir a frequência ou a quantidade usada não reflete o risco real. Esses critérios ignoram a potência do THC, principal composto psicoativo da cannabis.
Como resultado, pessoas podem consumir doses muito diferentes de THC sem perceber.
Aumento do THC e riscos à saúde
Nas últimas décadas, a potência da cannabis aumentou significativamente. Produtos com altos níveis de THC estão associados a maiores riscos de efeitos adversos.
Entre eles estão:
Por isso, especialistas defendem métricas mais precisas para orientar decisões conscientes.
O que é a unidade padrão de THC
No estudo, os pesquisadores analisaram dados de 150 adultos e adolescentes em Londres, acompanhados por 12 meses no projeto CannTeen.
A equipe estimou o consumo usando unidades padrão de THC, em vez de peso ou número de baseados.
Os resultados mostram grandes diferenças entre produtos aparentemente semelhantes.
Por exemplo:
Ou seja, nem todos os baseados são iguais.
Limite semanal recomendado
Com base nos dados, os autores sugerem que adultos não ultrapassem 8 unidades de THC por semana para reduzir o risco de transtorno.
No estudo CannTeen, 70% dos adultos que excederam esse limite apresentaram transtorno por uso de cannabis.
Segundo os pesquisadores, essa métrica pode funcionar como uma ferramenta prática de redução de danos.
Redução de danos e escolhas conscientes
“O objetivo principal é reduzir danos”, explica Rachel Lees Thorne, autora principal do estudo.
Ela destaca que o único nível totalmente seguro é não usar cannabis.No entanto, para quem opta por consumir, pequenas mudanças podem diminuir riscos.
Entre elas:
O que dizem outros especialistas
Pesquisadores em saúde pública elogiaram a proposta, afirmando que uma unidade padrão de THC pode facilitar tanto o autocontrole quanto a pesquisa científica.
A psiquiatra Marta Di Forti, do King’s College London, ressalta que a cannabis contém mais de 144 canabinoides diferentes.
Ainda assim, ela afirma que as unidades de THC representam uma métrica clara, prática e útil para monitorar o consumo.
Conclusão
À medida que a cannabis se torna mais acessível em mercados legais, ferramentas como a unidade padrão de THC podem ajudar usuários a fazer escolhas mais informadas.
Além disso, a padronização pode fortalecer políticas públicas e estratégias de redução de danos baseadas em evidências científicas.
Matéria original: https://www.sciencealert.com/scientists-figured-out-a-standard-measure-for-cannabis-use