Sequências repetidas de DNA crescem e se tornam mais instáveis com a idade, e a genética desempenha um papel fundamental no controle da velocidade desse processo.
Em algumas pessoas, essas alterações estão associadas a doenças graves, revelando uma fonte oculta de risco para a saúde.
Estudo Revela Instabilidade Crescente em Regiões Repetidas do DNA
Uma análise genética em larga escala, envolvendo mais de 900 mil pessoas, revelou que regiões específicas do DNA tornam-se cada vez mais instáveis ao longo do tempo. Essas regiões são compostas por sequências muito curtas que se repetem continuamente, e o estudo demonstra que elas tendem a se alongar conforme as pessoas envelhecem. Os pesquisadores também descobriram que variantes genéticas comuns herdadas podem influenciar significativamente a velocidade dessa expansão, acelerando ou reduzindo o processo em até quatro vezes. Em alguns casos, essas repetições expandidas do DNA foram associadas a condições graves de saúde, como insuficiência renal e doenças hepáticas.
Repetições Expandidas do DNA e Doenças Hereditárias
Repetições expandidas no DNA são responsáveis por mais de 60 distúrbios hereditários. Essas condições surgem quando as sequências repetitivas aumentam além do limite normal, comprometendo o funcionamento saudável das células. Exemplos conhecidos incluem a doença de Huntington, a distrofia miotônica e algumas formas de esclerose lateral amiotrófica (ELA).
Embora a maioria das pessoas carregue repetições de DNA que se expandem lentamente durante a vida, até o momento não se sabia a extensão dessa instabilidade nem os genes que a regulam em grandes populações. Essa pesquisa revela que a expansão dessas repetições é muito mais comum do que se imaginava e identifica dezenas de genes envolvidos na regulação do processo, abrindo portas para o desenvolvimento de tratamentos que podem retardar a progressão dessas doenças.
Como o Estudo Foi Realizado
A equipe de pesquisadores, formada por cientistas da UCLA, do Broad Institute e da Harvard Medical School, analisou dados de sequenciamento genômico completo de 490.416 participantes do UK Biobank e 414.830 do programa All of Us Research Program. Para isso, desenvolveram novas abordagens computacionais capazes de medir o comprimento e a instabilidade das repetições de DNA usando dados padrão de sequenciamento.
Com essas ferramentas, os pesquisadores examinaram 356.131 sítios variáveis de repetições ao longo do genoma humano. Monitoraram como os comprimentos dessas repetições mudavam com a idade nas células sanguíneas e identificaram variantes genéticas herdadas que influenciaram a velocidade da expansão. Além disso, buscaram associações entre a expansão das repetições e milhares de desfechos médicos para encontrar ligações antes desconhecidas entre esse fenômeno e doenças humanas.
Principais Descobertas Sobre a Instabilidade das Repetições de DNA
O estudo demonstrou que as repetições comuns do DNA em células sanguíneas aumentam consistentemente conforme as pessoas envelhecem. Foram identificadas 29 regiões genômicas onde variantes genéticas herdadas alteravam as taxas de expansão das repetições, com diferenças de até quatro vezes entre indivíduos com maior e menor risco genético.
Um resultado inesperado mostrou que os mesmos genes de reparo do DNA não agem de forma uniforme: variantes que estabilizam algumas repetições tornam outras mais instáveis. Os pesquisadores também descobriram um novo distúrbio relacionado à expansão da repetição no gene GLS. Essa expansão, que ocorre em cerca de 0,03% das pessoas, está associada a um risco 14 vezes maior de doença renal grave e três vezes maior de doenças hepáticas.
Implicações Para Pesquisas Futuras
Os resultados indicam que medir a expansão das repetições de DNA no sangue pode servir como biomarcador para avaliar tratamentos futuros que visem retardar o crescimento dessas repetições em doenças como a de Huntington. As ferramentas computacionais desenvolvidas poderão ser aplicadas a outros bancos de dados genômicos para identificar mais repetições instáveis e os riscos de doenças relacionadas.
Os pesquisadores ressaltam que serão necessários estudos adicionais para entender por que os mesmos modificadores genéticos podem ter efeitos opostos em diferentes repetições. Essas investigações se concentrarão em como os processos de reparo do DNA variam entre tipos celulares e contextos genéticos.
Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/01/260109080214.htm