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Sem categoria 19 de janeiro de 2026

Proteína Cerebral “Adormecida” é na Verdade um Interruptor Poderoso

Descubra como proteínas cerebrais anteriormente consideradas inativas estão ativas e podem ser alvo de novos medicamentos para ansiedade, esquizofrenia, distúrbios do movimento e perda de memória.

Por Dr. Paulo Budri
4 min de leitura • Atualizado em 19/01/2026

Cientistas revelaram que uma proteína cerebral misteriosa, associada à ansiedade e à esquizofrenia, é muito mais ativa do que se acreditava anteriormente. Essa descoberta pode abrir caminho para medicamentos que ajustem com precisão a comunicação cerebral, melhorando a saúde mental e a memória. Crédito da imagem: Shutterstock.

Pesquisadores do Johns Hopkins Medicine identificaram um alvo promissor para o desenvolvimento de drogas que permitam aumentar ou diminuir a atividade de proteínas cerebrais específicas. Essa inovação pode levar a novos tratamentos para doenças psiquiátricas como ansiedade e esquizofrenia, além de distúrbios neurológicos que afetam o movimento e o equilíbrio. O estudo contou com financiamento do National Institutes of Health.

As proteínas estudadas são conhecidas como receptores ionotrópicos de glutamato do tipo delta, ou GluDs. Elas desempenham um papel crucial na comunicação entre neurônios. Segundo os pesquisadores, mutações nos GluDs têm sido associadas a distúrbios psiquiátricos, incluindo ansiedade e esquizofrenia. Apesar dessa ligação, o funcionamento exato dessas proteínas permaneceu obscuro, dificultando o desenvolvimento de tratamentos que regulassem sua atividade.

“Essa classe de proteínas há muito tempo é considerada inativa no cérebro”, afirma Edward Twomey, Ph.D., professor assistente de biofísica e química biofísica na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins. “Nossos achados indicam que elas estão muito ativas e oferecem uma potencial via para o desenvolvimento de novas terapias.”

O estudo com essas descobertas foi publicado na revista Nature.

Imagem Revela Como os GluDs Funcionam

Para compreender melhor os GluDs, Twomey e sua equipe utilizaram microscopia crioeletrônica, uma técnica de imagem avançada que permite visualizar proteínas com alto nível de detalhe. A análise revelou que os GluDs contêm um canal iônico em seu centro, que mantém partículas carregadas essenciais para a interação da proteína com neurotransmissores (sinais elétricos que permitem a comunicação entre células cerebrais).

“Esse processo é fundamental para a formação das sinapses, os pontos de conexão onde as células se comunicam”, explica Twomey.

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Impactos para Distúrbios do Movimento e Doenças Mentais

A descoberta pode acelerar o desenvolvimento de medicamentos para ataxia cerebelar, um distúrbio que afeta o movimento e o equilíbrio. A ataxia cerebelar pode resultar de AVC, traumatismo craniano, tumores cerebrais ou doenças neurodegenerativas, e pode causar problemas de memória. Nessa condição, os GluDs tornam-se “superativos” mesmo na ausência de sinais elétricos no cérebro. Twomey destaca que uma abordagem terapêutica pode envolver o desenvolvimento de drogas que bloqueiem essa atividade excessiva.

Na esquizofrenia, a situação é o oposto: os GluDs apresentam atividade reduzida. Futuras medicações poderiam ter o objetivo de aumentar essa atividade.

Possíveis Relações com Envelhecimento e Perda de Memória

Os resultados também podem ter relevância no envelhecimento e no declínio da memória. Como os GluDs ajudam a regular as sinapses, medicamentos que os visem poderiam ajudar a manter a função sináptica ao longo do tempo. As sinapses são essenciais para o aprendizado, memória e formação de pensamentos.

“Como os GluDs regulam diretamente as sinapses, poderíamos desenvolver drogas direcionadas para qualquer condição em que as sinapses estejam comprometidas”, afirma Twomey.

Próximos Passos e Pesquisas em Andamento

O pesquisador pretende colaborar com empresas farmacêuticas para avançar no desenvolvimento desse alvo terapêutico. Sua equipe também estuda mutações específicas dos GluDs associadas diretamente à esquizofrenia, ansiedade e outros transtornos psiquiátricos, com o objetivo de entender melhor a progressão dessas condições e criar tratamentos mais precisos.

Outros cientistas da Johns Hopkins que contribuíram para o estudo incluem Haobo Wang, Fairine Ahmed, Jeffrey Khau e Anish Kumar Mondal.

Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/01/260118233607.htm

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