Nos últimos anos, Mounjaro e Ozempic tornaram-se nomes amplamente conhecidos, dominando conversas sobre saúde, emagrecimento e diabetes.
Esses medicamentos, pertencentes à classe dos agonistas do receptor GLP-1, ganharam enorme visibilidade devido à sua eficácia na perda de peso e no controlo do diabetes tipo 2.
No entanto, por trás do entusiasmo mediático em torno de Mounjaro e Ozempic, existe uma realidade mais complexa. À medida que a ciência avança, surgem novas aplicações clínicas, diferenças relevantes nos perfis de efeitos adversos e riscos que raramente são abordados na discussão pública.
Este artigo apresenta quatro factos científicos importantes e pouco conhecidos sobre Mounjaro e Ozempic, oferecendo uma visão mais equilibrada e informada sobre estes fármacos.
1. Mounjaro e Ozempic vão muito além da diabetes e da perda de peso
Embora Mounjaro e Ozempic sejam mais conhecidos pelo controlo glicémico e pela redução ponderal, os agonistas de GLP-1 estão a inaugurar uma nova era terapêutica, com indicações que ultrapassam largamente a obesidade e a diabetes tipo 2.
Com base em aprovações recentes da Food and Drug Administration (FDA), destacam-se novos usos clinicamente relevantes:
- Redução do risco cardiovascular
Em 2024, a semaglutida (Wegovy) tornou-se o primeiro medicamento para perda de peso aprovado para reduzir eventos cardiovasculares major (enfarte e AVC) em pessoas com obesidade ou excesso de peso e doença cardiovascular estabelecida.
- Apneia obstrutiva do sono
Em dezembro de 2024, a tirzepatida (Zepbound), o mesmo princípio ativo do Mounjaro, foi aprovada para o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.
- Proteção renal
Em janeiro de 2025, o Ozempic (semaglutida) recebeu aprovação para reduzir a progressão da doença renal crónica em adultos com diabetes tipo 2.
O estudo FLOW reforçou este benefício, demonstrando uma redução de 24% no risco de eventos renais maiores em comparação com placebo, um resultado clinicamente significativo.
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2. Mounjaro e Ozempic não são iguais: diferenças relevantes nos efeitos colaterais
Um aspeto frequentemente negligenciado é que nem todos os agonistas de GLP-1 apresentam o mesmo perfil de tolerabilidade. Embora náuseas e diarreia sejam efeitos adversos comuns, a intensidade e frequência variam entre os medicamentos.
Uma meta-análise comparando diferentes agonistas de GLP-1 identificou diferenças importantes:
- Náuseas e diarreia: o Mounjaro (tirzepatida) apresentou maior risco destes efeitos.
- Vómitos: a lixisenatida esteve associada à maior incidência.
- Melhor tolerabilidade geral: a dulaglutida demonstrou menor risco de náuseas e vómitos.
Estas diferenças são clinicamente relevantes e reforçam que a experiência com Mounjaro e Ozempic pode variar significativamente entre indivíduos, devendo a escolha ser personalizada.
3. Um risco pouco discutido de Mounjaro e Ozempic: doenças da vesícula biliar
Além dos efeitos gastrointestinais mais conhecidos, evidências crescentes associam o uso de Mounjaro e Ozempic a um risco aumentado de doenças da vesícula biliar, como cálculos biliares e colecistite.
Embora a perda de peso rápida seja, por si só, um fator de risco, os agonistas de GLP-1 parecem contribuir diretamente para este efeito ao reduzir a secreção de colecistoquinina (CCK) — hormona essencial para a contração da vesícula e libertação da bile.
Uma meta-análise envolvendo 76 ensaios clínicos randomizados e mais de 100 mil participantes identificou um aumento de 37% no risco relativo de doenças da vesícula biliar em utilizadores de GLP-1, sobretudo com doses mais elevadas e uso prolongado para emagrecimento.
4. Quando esses medicamentos funcionam “bem demais”: o risco de subnutrição
A potente supressão do apetite induzida por Mounjaro e Ozempic pode, em alguns casos, levar a uma ingestão calórica perigosamente baixa, sem que o utilizador se aperceba.
O caso documentado da nutricionista Jennifer Lynn-Pullman ilustra este risco: ao usar Wegovy, descobriu que estava a consumir menos de 900 kcal/dia, após episódios de mal-estar físico, apesar do seu conhecimento técnico em nutrição.
Este exemplo evidencia que, mesmo quando o tratamento é eficaz, o risco de subnutrição acidental existe, reforçando a necessidade de acompanhamento nutricional estruturado durante o uso de Mounjaro e Ozempic.
Conclusão: como usá-los de forma segura e informada
Os dados científicos mostram que Mounjaro e Ozempic são medicamentos poderosos, com benefícios que vão muito além do emagrecimento. No entanto, também apresentam riscos reais, diferenças individuais de tolerabilidade e efeitos adversos que exigem vigilância.
O verdadeiro desafio não é decidir se estes fármacos são “bons ou maus”, mas como, para quem e em que contexto devem ser utilizados. A promessa dos agonistas de GLP-1 reside no seu uso responsável, integrado num plano de cuidados abrangente, com acompanhamento médico e nutricional contínuo.
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