Astrônomos observam estrela massiva na galáxia Andrômeda que desapareceu sem explodir, sugerindo a formação direta de um buraco negro por supernova fracassada, fenômeno raro investigado com o Telescópio James Webb.
Teoricamente, é possível que uma estrela especialmente massiva colapse sobre si mesma formando um buraco negro, em vez de explodir em uma supernova. Agora, talvez tenhamos testemunhado esse processo em ação.
19 de janeiro de 2026
Ilustração de uma supernova fracassada formando um buraco negro
NASA, ESA e P. Jeffries (STScI)
Uma estrela massiva em uma galáxia próxima, ao final de sua vida, aparenta ter desaparecido ao invés de explodir, formando um buraco negro — um evento que os astrônomos acreditam ser raro.
Os buracos negros mais comuns em nossa galáxia começam como estrelas. Quando essas estrelas explodem em supernovas, podem deixar um buraco negro residual. Porém, acredita-se que buracos negros também possam se formar a partir de estrelas que falham em explodir como supernova, colapsando diretamente sob sua própria gravidade e criando o buraco negro imediatamente.
Em 2024, Kishalay De, da Universidade Columbia em Nova York, e sua equipe observaram uma estrela incomumente brilhante, chamada M31-2014-DS1, na galáxia vizinha Andrômeda, que tinha cerca de 20 vezes a massa do nosso Sol. A estrela pareceu aumentar brevemente seu brilho em 2014, antes de tornar-se dramaticamente mais fraca entre 2017 e 2020. De e seus colegas sugeriram que esse padrão de brilho intenso seguido por um escurecimento coincidia com as previsões para uma supernova fracassada que resultou na formação de um buraco negro, embora não tenha sido detectado diretamente o buraco negro, como a radiação caracteristica em raios X.
Descoberta com Telescópio Espacial James Webb
Agora, De e sua equipe observaram M31-2014-DS1 com o Telescópio Espacial James Webb (JWST) e o Observatório de Raios X Chandra. Eles encontraram um objeto fraco e avermelhado no local onde a estrela estava, com brilho cerca de 8% do brilho original, envolto em uma nuvem de poeira movendo-se rapidamente para fora — evidências compatíveis com o que se espera de uma supernova fracassada resultando em um buraco negro. A equipe optou por não comentar, pois o estudo ainda não foi revisado por pares.

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Análise alternativa e debate científico
Em estudo separado, analisando os mesmos dados do JWST, Emma Beasor, da Liverpool John Moores University, Reino Unido, e sua equipe questionam a interpretação de supernova fracassada. Eles sugerem que as observações podem ser resultado da fusão de duas estrelas, fenômeno que também gera um breve aumento de brilho seguido de escurecimento e muita poeira.
“As previsões do que seria uma supernova fracassada se sobrepõem bastante ao que esperamos de duas estrelas colidindo e produzindo muita poeira”, explica Beasor. Contudo, ambos os cenários ainda são fenômenos exóticos, ressalta: “Não é comum vermos estrelas desaparecerem de forma tão significativa.”
Importância da descoberta
“Independentemente da explicação, isso é empolgante. A estrela visível realmente desapareceu”, afirma Gerard Gilmore, da Universidade de Cambridge. “Por muitos anos, buscas por estrelas massivas desaparecendo resultaram em dúvidas. Agora, o poder completo da astronomia em múltiplos comprimentos de onda em domínio temporal está mostrando avanços.”
Segundo Gilmore, a única forma conclusiva de confirmar a formação de um buraco negro é detectar a radiação em raios X, que ainda não foi observada na localização da M31-2014-DS1. Entretanto, a capacidade de estudar as consequências do escurecimento dessa estrela com um telescópio tão potente como o JWST permitirá avançar na compreensão do que ocorreu.
Matéria original: https://www.newscientist.com/article/2512066-star-appears-to-have-vanished-in-a-failed-supernova/?utm_campaign=RSS%7CNSNS&utm_source=NSNS&utm_medium=RSS&utm_content=home