Ciência

Cientistas estão preocupados com cortes no orçamento da ciência brasileira

By Paulo

July 17, 2017

Sem dinheiro depois de 3 anos de orçamentos de austeridade, cientistas brasileiros se preparam para um ano ainda pior à frente.

O governo federal está planejando reduzir o financiamento científico em quase 40% em 2018, comprometendo os principais projetos, incluindo a participação do Brasil em instalações de telescópio de classe mundial, informou a Science Insider.

Cientistas brasileiros já estavam cambaleando antes das últimas notícias desanimadoras. Este ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia absorveu uma redução do orçamento de 44%.

“Os cortes perenes são sufocantes até o ponto de pôr em perigo sua existência”, diz um manifesto lançado na semana passada por 19 institutos administrados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, com sede em Brasília.

Os problemas de dinheiro, segundo eles, estão causando “danos irreversíveis” a instituições que são cruciais para a recuperação econômica da nação.

“Esta é uma situação muito séria”, disse Bruno Castilho, diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica em Itajubá, MG. Seu orçamento também foi reduzido pela metade este ano.

As reservas atuais nem sequer cobrem as contas de água e eletricidade, diz ele, e muito menos a participação do Brasil no Observatório Gemini – telescópios ópticos e infravermelhos gêmeos no Chile e no Havaí – e no Telescópio de Pesquisa Astrofísica do Sul no Chile.

Se Castilho não conseguir encontrar pelo menos mais 4 milhões de reais (US $ 1,25 milhões) no final do ano, diz ele, os astrônomos brasileiros perderão o acesso a essas instalações. O prognóstico é sombrio, ele diz: “Nós não temos outro lado para cortar”.

Cortes que afetam a Amazônia

Também está em perigo o lançamento previsto do próximo ano do satélite Amazônia 1 – um satélite de observação da Terra que monitorará o desmatamento e outras mudanças no uso da terra – e as operações diárias do supercomputador Tupã, crucial para previsão do clima e pesquisa climática, diz Ricardo Galvão, diretor Do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial em São José dos Campos, Brasil.

O governo federal autorizou o instituto a gastar menos de metade do seu planejado orçamento de 220 milhões de reais neste ano, retido o restante como “fundos de contingência”.

“Estamos realizando um estudo detalhado de todos os projetos que podem ser congelados ou descontinuados para garantir nossas despesas operacionais “, diz Galvão.

Cortes que afetam a previsão de eventos climáticos

A capacidade do Brasil de prever eventos climáticos extremos também pode ser comprometida. O Centro Nacional de Monitoramento e Aviso Precoce de Desastres Naturais em Cachoeira Paulista está ficando sem fundos para manter sua rede nacional de sensores e estações de monitoramento.

“Se o orçamento de 2018 for o mesmo desse ano, não sei como vamos sobreviver”, diz o diretor Osvaldo de Moraes.

Muitos temem que as coisas piorem antes de melhorarem. Uma emenda constitucional aprovada no ano passado proíbe o governo federal aumentar os gastos acima da inflação nos próximos 20 anos.

A situação é “dramática”, diz o secretário executivo do Ministério das Ciências, Elton Zacarias. O ministério, diz ele, está negociando com autoridades de planejamento federais para tentar ganhar um aumento no limite de financiamento.

“Temos que resolver isso agora”, diz Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências do Rio de Janeiro.

“As pessoas estão saindo do país, os laboratórios estão fechando.” É compreensível que os sacrifícios sejam necessários em tempos de dificuldades econômicas, ele diz, mas ele insiste que os cortes na ciência são míopes.

“Quando você corta o quadro, você não tem prioridades”. Ele diz que os cortes são uma “bomba atômica” que deixará um legado de destruição para as futuras gerações.

Fonte: Science