Por que a internet parece tão solitária atualmente?

Por que a internet parece tão solitária atualmente?

Atualmente, muitas pessoas, assim como eu, ficam grudadas no celular. Por exemplo, nos Estados Unidos, boa parte obtém notícias por meio de vários aplicativos — publicações nas redes sociais, podcasts e newsletters. Além disso, quando ocorrem eventos intensos (como protestos), não conseguimos desviar o olhar. Pessoas em Minneapolis postam vídeos sobre manifestações; especialistas publicam ensaios sobre direito internacional e o ataque dos EUA à Venezuela. Portanto, sentimos a necessidade de consumir tudo.

Entretanto, quanto mais observamos e lemos o que os outros falam, mais solitários nos sentimos.

A personalidade “outro-dirigida” e a solidão

Essa experiência não é nova ou única. Sociológos vêm discutindo esse tema há quase 80 anos. Em 1950, David Riesman, Nathan Glazer e Reuel Denney publicaram o livro The Lonely Crowd, no qual argumentaram que o surgimento do consumismo e dos meios de comunicação em massa criou uma nova personalidade, altamente sensível à solidão. Eles nomearam esse tipo de personalidade como “outro-dirigida”. Suas descrições soam surpreendentemente atuais em nossa era de redes sociais e chatbots de IA.

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Pessoas “outro-dirigidas” estão constantemente atentas ao que todos ao redor fazem, usando as preferências dos grupos de pares para decidir o que comprar, vestir e pensar. Além disso, seus valores nascem dos pares, não de ancestrais ou autoridades, o que as torna orientadas para o presente e desinteressadas pela história. Riesman e colegas alertaram que essas pessoas têm obsessão por conformidade, ansiedade em fazer parte de um grupo e desejo de “se divertir”. Acima de tudo, temem ficar sozinhas.

Esses traços se refletem claramente em quem usa as redes sociais, enfrentando pressão dos pares, relacionamentos parasociais com influenciadores e — especialmente hoje — vigilância constante. Nós sempre observamos uns aos outros e, ao mesmo tempo, somos observados. Além disso, por temerem a solidão, empresas criam apps que nos enganam, fazendo-nos acreditar que não estamos sozinhos. Esse é um aspecto sinistro dos chatbots de IA, alguns projetados para agir como amigos.

“Quando montamos nossa identidade com base no que acreditamos que os outros querem, escondemos algo crucial.”

O paradoxo de ser “outro-dirigido”

Existe um paradoxo no coração de cada pessoa “outro-dirigida”. Por um lado, desejamos nos conformar e fazer parte do grupo. Por outro, queremos sentir que somos únicos. Riesman e colegas explicou que o consumismo alivia essa ansiedade proporcionando uma “falsa personalização”.

Por exemplo, quando você escolhe entre seis camisas pólo praticamente idênticas, a escolha pode dar a sensação de que há uma marca especial feita para você. Entretanto, no fundo, todas as camisas são iguais, andamos todos usando o mesmo estilo.

Essa falsa personalização aparece frequentemente nos algoritmos que moldam a experiência na internet. Apps como o TikTok possuem uma aba “para você”, com vídeos aparentemente personalizados para seu gosto. Porém, um algoritmo que foge do nosso controle dita essa seleção, e seu objetivo principal é manter nossos olhos fixos no mesmo app que os outros usam. Dessa forma, “para você” serve à conformidade.

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A expressão própria nas redes sociais

Como pessoas “outro-dirigidas”, somos incentivadas a nos expressar principalmente participando de grupos de pares ou “entrando na conversa”, conforme sugerem muitos anúncios. Transformamos nossa identidade em conteúdo na internet, somando palavras e vídeos à imensa massa online. Além disso, “seja você mesmo mostrando que faz o que todos fazem” virou lema.

Essa sensação de solidão digital está relacionada também a temas profundos que afetam nossa saúde mental. Se quiser saber mais sobre como reduzir o estresse ou explorar avanços em tratamentos de ansiedade, esses conteúdos são essenciais para compreender nosso estado emocional atual.

Por fim, entender as causas da solidão online ajuda a lidar melhor com nossas relações digitais e a saúde mental no contexto moderno. Portanto, ficar atento à maneira como consumimos conteúdo e interagimos nas redes contribui para uma experiência mais autêntica e menos angustiante.

Matéria original: https://www.newscientist.com/article/mg26935790-200-the-internet-feels-super-lonely-right-now-heres-why/?utm_campaign=RSS%7CNSNS&utm_source=NSNS&utm_medium=RSS&utm_content=home

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