Por que uma vaca pode mudar nossa visão sobre a inteligência animal

Em um avanço surpreendente na ciência da cognição animal, Veronika, uma vaca doméstica (Bos taurus) na Áustria, foi observada usando uma vassoura de forma criativa e multifuncional para se coçar — sem qualquer treinamento humano.

O comportamento, documentado por pesquisadores da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, pode ser o primeiro registro de uso flexível de ferramenta por um mamífero não primata.

Veronika não apenas segura a vassoura com a boca, mas gira o objeto para usar os dois lados: as cerdas ásperas para coçar as costas e o cabo liso para áreas mais sensíveis. Esse nível de resolução de problemas espontânea desafia velhos pressupostos sobre a inteligência de animais de fazenda.

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“Esse comportamento demonstra que vacas possuem mente — e isso torna mais difícil ignorá-las como meros recursos”, afirma a filósofa Marta Halina.

Por Que Isso Importa?

Durante décadas, o uso de ferramentas foi considerado exclusivo dos humanos — até Jane Goodall observar chimpanzés pescando cupins nos anos 1960. Hoje, sabemos que corvos, polvos e até peixes usam objetos para alcançar objetivos. Mas bovinos raramente eram incluídos nessa conversa.

O estudo de Antonio Osuna-Mascaró e Alice Auersperg muda isso. Ao mostrar que Veronika adapta um objeto do ambiente para resolver uma necessidade imediata — e o faz de forma flexível e intencional —, os cientistas abrem portas para repensar a consciência animal em espécies domesticadas.

Da Fazenda à Filosofia: Uma Mudança de Perspectiva

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Essa descoberta ecoa experiências cotidianas, como a de um motorista de táxi que, ao adotar um porco, percebeu sua capacidade de comunicação empática: o animal tocava um sino não só para sair, mas também para avisar quando um cachorro estava preso do lado de fora. Tanto ele quanto muitos outros relatam que essas interações mudaram seus hábitos alimentares — ele parou de comer carne suína.

Se porcos e vacas demonstram autoconsciência, empatia e inovação, por que ainda presumimos que animais “simples” não têm mente?

O Futuro do Bem-Estar Animal

O caso de Veronika não é apenas curioso — é cientificamente significativo. Ele reforça uma tendência crescente na etologia: estudar a inteligência em uma diversidade muito maior de espécies, incluindo abelhas, crocodilos e agora, vacas.

À medida que evidências se acumulam, fica cada vez mais claro: animais de fazenda merecem consideração ética séria. E talvez, em breve, veremos mudanças nas práticas agrícolas, políticas públicas e escolhas pessoais — tudo inspirado por uma vaca que aprendeu a se coçar com uma vassoura.

Matéria original: https://www.newscientist.com/article/2511920-why-a-tool-using-cow-could-change-how-we-see-farm-animals/?utm_campaign=RSS%7CNSNS&utm_source=NSNS&utm_medium=RSS&utm_content=home

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