Um esqueleto parcial de elefante com 1,78 milhão de anos encontrado na Tanzânia, associado a ferramentas de pedra, pode representar a evidência mais antiga conhecida de abate desses gigantes herbívoros.
Descoberta no Vale de Olduvaí
Abater um elefante é uma tarefa extremamente difícil, que exige ferramentas eficientes e cooperação, oferecendo um enorme ganho em proteínas. Uma equipe liderada por Manuel Domínguez-Rodrigo, da Rice University no Texas, afirma que humanos antigos podem ter alcançado esse feito há 1,78 milhão de anos, no Vale de Olduvaí, na Tanzânia.
“Por volta de 2 milhões de anos atrás, os humanos consumiam sistematicamente animais como gazelas e antílopes, mas não jogos maiores”, explica Domínguez-Rodrigo.
Transformações na Alimentação dos Hominídeos
Mais adiante, evidências do Vale de Olduvaí indicam uma mudança significativa. Esta região é rica em fósseis de animais e hominídeos datados entre 2 milhões e 17 mil anos atrás. Cerca de 1,8 milhão de anos atrás, houve um aumento repentino nos restos de elefantes e hipopótamos. Ainda assim, provar que foram abatidos por humanos era desafiador.
Em junho de 2022, Domínguez-Rodrigo e colegas descobriram o que parece ser um antigo sítio de abate de elefantes no local.
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Ferramentas e Técnicas de Butchery
Nomeado como sítio EAK, o local contém um esqueleto parcial da espécie extinta Elephas recki, cercado por ferramentas de pedra grandes e robustas, muito maiores que as usadas pelos hominídeos antes de 2 milhões de anos. Essas ferramentas, provavelmente produzidas pelo Homo erectus, incluem facas pleistocênicas tão afiadas quanto quando foram originalmente usadas.
Domínguez-Rodrigo e sua equipe acreditam que essas ferramentas serviram para o abate do elefante. Alguns ossos longos apresentam fraturas recentes, indicando que foram quebrados enquanto ainda estavam frescos, um feito difícil para carniceiros como hienas, que não conseguem partir os ossos desses animais adultos.
“Documentamos vários ossos com fraturas verdes que mostram que foram quebrados por humanos usando martelos de pedra”, afirma o pesquisador. Tais ossos e marcas de percussão são comuns nas amostras datadas de 1,7 milhão de anos atrás.
O Mistério do Abate
Apesar das evidências, são raras as marcas de corte típicas de desossa nos ossos, o que mantém em aberto se os humanos mataram os elefantes ou simplesmente encontraram os corpos e aproveitaram a oportunidade.
“O que podemos afirmar com segurança é que eles realizaram o abate ou a desossa parcial, deixando ferramentas junto aos ossos”, conclui Domínguez-Rodrigo.
Ele ressalta que a adoção do abate de elefantes não decorreu apenas da invenção de ferramentas melhores, mas também do crescimento dos grupos de hominídeos, que levaram a mudanças sociais e culturais.