Cientistas finalmente descobriram como cultivar células T auxiliares a partir de células-tronco, uma peça fundamental para terapias celulares eficazes contra o câncer. Essa inovação pode tornar tratamentos imunológicos prontos para uso mais poderosos e amplamente acessíveis. Crédito: Shutterstock
Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, pela primeira vez, demonstraram como produzir de forma consistente um tipo crucial de célula imune humana, conhecida como células T auxiliares, a partir de células-tronco em ambiente laboratorial controlado.
O estudo, publicado em 7 de janeiro na revista Cell Stem Cell, elimina uma barreira importante que dificultava o desenvolvimento, a acessibilidade financeira e a produção em larga escala de terapias celulares. Com essa solução, o trabalho pode contribuir para que tratamentos off-the-shelf se tornem mais acessíveis e eficazes para doenças como câncer, infecções, distúrbios autoimunes e outras.
“As terapias celulares modificadas estão transformando a medicina moderna”, afirma o coautor sênior, Dr. Peter Zandstra, professor e diretor da Escola de Engenharia Biomédica da UBC. “Este estudo enfrenta um dos maiores desafios para tornar esses tratamentos salvadores de vidas acessíveis a mais pessoas, mostrando pela primeira vez um método confiável e escalável para produzir múltiplos tipos de células do sistema imune.”
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Nos últimos anos, terapias celulares modificadas, como os tratamentos CAR-T, têm apresentado resultados dramáticos e às vezes salvadores para pacientes com cânceres antes considerados intratáveis. Essas terapias funcionam reprogramando as células do sistema imune do paciente para reconhecer e destruir a doença, transformando essas células em “medicamentos vivos”.
Apesar do sucesso, as terapias celulares ainda são caras, complexas de fabricar e inacessíveis para muitos pacientes globalmente. Um dos principais motivos é que a maioria dos tratamentos atuais depende do próprio sistema imune do paciente, cujas células precisam ser coletadas e preparadas durante semanas para cada indivíduo.
“O objetivo a longo prazo é desenvolver terapias celulares off-the-shelf, pré-fabricadas em escala maior e a partir de fontes renováveis como as células-tronco”, explica a coautora sênior, Drª Megan Levings, professora de cirurgia e engenharia biomédica da UBC. “Isso tornaria os tratamentos muito mais econômicos e disponíveis imediatamente quando necessário.”
Importância das células T auxiliares na terapia contra o câncer
As terapias contra o câncer são mais eficazes quando dois tipos de células imunes atuam juntos. As células T citotóxicas atacam diretamente células infectadas ou cancerosas; já as células T auxiliares funcionam como regentes do sistema imune – detectam ameaças, ativam outras células e sustentam as respostas imunológicas ao longo do tempo, exercendo papel central na coordenação.
Embora cientistas tenham avançado na produção de células T citotóxicas a partir de células-tronco, a geração confiável de células T auxiliares ainda não havia sido alcançada até agora.
“Células T auxiliares são essenciais para uma resposta imune forte e duradoura”, destaca a Drª Levings. “Ter ambos os tipos é fundamental para maximizar a eficácia e a flexibilidade das terapias off-the-shelf.”
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Avanço decisivo rumo a terapias imunes baseadas em células-tronco
Na nova pesquisa, a equipe da UBC superou esse desafio ajustando cuidadosamente sinais biológicos que orientam o desenvolvimento das células-tronco. Essa abordagem permitiu controlar com precisão se as células-tronco se tornariam células T auxiliares ou citotóxicas.
Os cientistas identificaram que um sinal chamado Notch tem papel importante, porém sensível ao tempo, na formação das células imunes. O Notch é necessário nos estágios iniciais, mas se permanecer ativo por muito tempo, bloqueia a formação das células T auxiliares.
“Ao ajustar precisamente quando e em que intensidade esse sinal é reduzido, conseguimos direcionar a diferenciação das células-tronco para se tornarem células T auxiliares ou citotóxicas”, explica o coautor principal Dr. Ross Jones, pesquisador do Laboratório Zandstra. “Conseguimos isso em condições laboratoriais controladas que podem ser aplicadas diretamente na biofabricação real, um passo essencial para transformar essa descoberta em terapias acessíveis.”
Matéria original: https://www.sciencedaily.com/releases/2026/01/260120015654.htm