Introdução
Antes, não era possível atribuir eventos climáticos individuais à mudança climática e mapear suas consequências completas. Entretanto, graças ao trabalho de dois cientistas pioneiros, essa realidade mudou.
Experiências que mudaram a ciência do clima
Em janeiro de 2003, o físico Myles Allen viu as enchentes do rio Tâmisa ameaçando sua casa em Oxford, Reino Unido. Na época, ele queria entender por que os meteorologistas se recusavam a responsabilizar a mudança climática pelo evento.
Mais tarde naquele ano, Peter Stott, cientista climático do Met Office do Reino Unido, estava de férias na Itália. No entanto, ao invés de desfrutar uma semana tranquila, ele enfrentou uma das ondas de calor mais longas e mortíferas da história europeia. Para Stott, a experiência foi marcante, pois nunca antes havia sentido calor de 40°C.
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Avanço na modelagem climática
Ambos os cientistas buscaram estabelecer o papel da mudança climática nos eventos extremos que vivenciaram. Além disso, Stott percebeu que os modelos climáticos existentes poderiam ser usados para simular dois cenários: um refletindo o clima de 2003 e outro sem o aquecimento causado pelo homem.
Juntos, Allen e Stott rodaram milhares de simulações para esses dois mundos e, em um artigo inovador publicado na Nature em 2004, concluíram que a atividade humana pelo menos dobrou o risco da onda de calor de 2003.
O início da atribuição climática rápida
Esse trabalho abriu caminho para um novo campo da ciência climática, permitindo identificar pela primeira vez a influência humana em eventos extremos específicos. Portanto, análises de atribuição passaram a ser aplicadas em ondas de calor, secas severas e tempestades intensas.
Porém, existia uma limitação: essas análises demoravam meses, às vezes anos, para serem concluídas após o evento.
Para resolver esse problema, um grupo de pesquisadores liderado por Friederike Otto, do Imperial College London, criou em 2014 o World Weather Attribution. O foco é analisar rapidamente eventos extremos, divulgando possíveis influências da mudança climática muitas vezes em poucos dias após a ocorrência.
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Impactos na comunicação e na justiça climática
Além disso, esse avanço revolucionou a comunicação sobre esses eventos, permitindo que as reportagens condenem diretamente a mudança climática pelos desastres, destacando o impacto real das emissões elevadas.
Como Otto enfatiza, “quando começamos há 10 anos, muitos cientistas e jornalistas diziam que não se podia atribuir um evento climático individual à mudança do clima. Isso mudou drasticamente”.
Esse avanço também abriu caminho para processos judiciais climáticos, usando estudos de atribuição como evidência em diversos casos contra poluidores globais. Além disso, facilitou a criação do fundo internacional de perdas e danos pela ONU em 2022, destinado a pagamentos por reparação climática.
Conclusão: a ciência que permite justiça climática
Em 2003, Allen questionou se algum dia seria possível processar alguém por danificar o clima. Finalmente, graças ao progresso da ciência de atribuição, a resposta é um enfático “sim”.
Para entender melhor como a ciência moderna pode transformar áreas relacionadas, confira também nosso artigo sobre terapia celular contra o câncer e os avanços que ela traz.
Além disso, o impacto das mudanças ambientais também pode ser visto na saúde, como explicamos em doença renal, um problema grave para o coração.