Janeiro é um ótimo momento para fazer um balanço da nossa vida – mas por onde começar? David Robson busca respostas nas pesquisas psicológicas mais recentes.
Com a virada do calendário, muitos de nós começamos a reavaliar nossas vidas. Como relata um leitor do programa Dear David, essa busca interior pode muitas vezes gerar mais confusão do que clareza. “Minha resolução de Ano Novo é me sentir mais realizado, mas não sei por onde começar”, ele me conta. “O que posso fazer para encontrar um novo sentido para minha vida?”
Um pouco de frustração é normal nesse processo. Ao contrário do que a maioria dos gurus de autoajuda prega, não existe um atalho para a felicidade que funcione para todos. No entanto, alguns exercícios reflexivos podem ajudar a realinhar suas prioridades, aumentando muito as chances de encontrar um caminho melhor. Michaéla C. Schippers e Niklas Ziegler, da Universidade Erasmus de Rotterdam, na Holanda, chamam esse processo de “life crafting” (construção da vida) – e, em sua revisão das pesquisas psicológicas disponíveis sobre encontrar significado e propósito, eles sugerem as seguintes ações:
- Primeiro, reflita sobre seus valores e paixões. O que você gosta de fazer? Pelo que deseja ser lembrado?
- Segundo, observe suas competências e hábitos – o que você já tem agora e o que gostaria de desenvolver no futuro.
- Terceiro, pense na sua vida social presente e futura. Quem te energiza e quem te deixa exausto?
- Depois, considere sua carreira, seu futuro ideal, seus objetivos e, por fim, seu comprometimento. Como você pode se responsabilizar pelas suas ações?
Como você pode ver, essa lista abrange tanto a vida pessoal quanto a profissional, incluindo nosso senso de conexão social, que é reconhecido como um dos principais motores do bem-estar emocional. Reconhecer suas competências atuais deve aumentar sua confiança na capacidade de mudança, enquanto identificar áreas para crescer ajudará a definir o que deseja alcançar e como chegar lá.
Ao definir seus objetivos, Schippers e Ziegler sugerem usar o processo conhecido como intenções de implementação, que consiste em criar planos do tipo ‘se-então’ para superar obstáculos futuros. Por exemplo, se a criatividade é um valor central para você e seu sonho é escrever um livro, pode definir a seguinte meta: “Se eu chegar em casa antes das 19h, escreverei por uma hora antes do jantar.”
Finalmente, na etapa do comprometimento, busque formas de aumentar sua responsabilidade compartilhando seus planos com outras pessoas. Em um experimento, os pesquisadores pediram que estudantes tirassem uma selfie segurando uma declaração escrita sobre sua meta, que depois foi postada nas redes sociais.
Não espere ter todas as respostas de uma vez; pode ser necessário retornar a esse exercício várias vezes. Como qualquer “arte”, viver melhor envolve aprendizado constante. Que 2026 seja o ano para tentar.
O artigo de Michaéla C. Schippers e Niklas Ziegler é fácil de ler e está disponível gratuitamente em doi.org/ghpv8q.
Esses artigos são publicados semanalmente em newscientist.com/maker.
David Robson é escritor premiado de ciência e autor do livro The Laws of Connection: 13 social strategies that will transform your life.